38ª Companhia de Comandos

NA OPERAÇÃO GALÁXIA VERMELHA
A 38CC TEVE 3 FERIDOS GRAVES E 3 FERIDOS LIGEIROS


OPERAÇÕES DA 38ª COMPANHIA DE COMANDOS


OPERAÇÃO GALÁXIA VERMELHA

38ª COMPANHIA DE COMANDOS

 

22 de Dezembro 1973 - Operação Galáxia Vermelha

Esta operação foi lançada na região do Cantanhez Sul, área do comando do Agrupamento Operacional 1 (CAOP1) de Cufar, no período de 22 de Dezembro de 1973 a 1Janeiro de 1974.

- Força executante - BCmdsG a quatro companhias de Comandos - 3 CCmdsAfr e a 38ªCCMDS
- Reforço , DFEs 4, 12 22a tempo parcial durante a acção
- Apoio de fogo Três Pelt de Art e Agrupamento de Ar(AgrAr) com um DO-27, dois hélis AL III armados, 4 hélis AL III para manobra de evacuação e dois jactos Fiat G-91 em alerta no solo em Bissau.

MISSÃO: Lançar operações a partir da linha geral Cadique-Jemberem -Cabedu-Cafine-Cafal e por meios navais nos rios Cubijã e Cacine durante 10 dias a fim de reconhecer, desarticular e destruir as organizações inimigas em Cachamba Balanta, Cachamba Sosso, Cabanta e Darselame e aliviar a pressão sobre o eixo Cadique - Jemberem e as guarnições da região.

Duração: 12 dias
Resultados obtidos: Pelas NT 03 feridos graves e 03 feridos ligeiros
Pelo IN: Sete mortos no terreno do Bi-grupo IN e vários feridos pelos rastos deixados no terreno.




Relatório do Cmdt da Operação, Cor. CMD Raul Folques

''Foi uma operação de grande envergadura, com um bom apoio em artilharia (três peças de 14 e seis obuses de 10.5 ) lançada também com a utilização de meios navais para embarque e desembarque de tropas ; com um agrupamento aéreo qualificado e adequado que forneceu apoio de fogo próximo e capacidade de manobra para colocação precisa e o empenhamento atempado das nossa forças e o muito necessário e moralizador Helicóptero para a evacuação, no caso, quase imediato de baixas, numa zona onde o inimigo estava fortemente implantado e organizado e era conhecedor perfeito do terreno, onde a floresta era muito cerrada, o que lhe dava uma boa proteção e possibilidades de montar emboscadas mortíferas.''


''No planeamento da operação foi escolhido montar montar o Posto de Comando (PC) em Cadique (bem central na zona a bater) e como modalidade de acção , foi concebida a manobra em que se procura a saturação da região em que o inimigo era mais forte, Cacharempo, Cachamba Nalu e Cachamba Papel, com a intenção de o desiquilibrar, mantendo depois essa vantagem, reiterando consecutivamente, a pressão em ordem a tirar resultados da desorganização criada no dispositivo inimigo.''

''Nestes termos foram definidas quatro fases;

Na 1ª fase desembarque na noite de dia D para dia D/1, de dois agrupamentos, um na Península de Catembol e o outro na Ponta Canebem.

Seguiu-se no dia D/1 a héli-colocação de um agrupamento na zona das Cachambas e o lançamento a partir de Cadique de um outro que iria actuar sobre Cachamba Balanta e Calquenem.

Todos os agrupamentos empenhados nesta fase, integravam dois bi-grupos.''

Nas fases seguintes de dia D/3 a dia D/10 , mantinham-se a pressão sobre o inimigo pela rendição por tropas frescas das forças empenhadas, alargando-se a zona de acção, batendo-se pelo fogo de artilharia e dos meios aéreos, os «ocos« , quer dizer , as zonas onde não houvesse empenhamento das NT, durante o dia ou de noite, e mantendo em permanência um agrupamento em reserva, para empenhamento á ordem onde fosse necessário.''

'' Foi proposto pelo comando do BCmdsG que o Agr Ar ficasse posicionado em Cadique, junto do PC da operação.Razões; (1) melhoria no exercício do comando , com os quadros da FA permanentemente informados do desenrolar da acção podendo participar no planeamento da conduta (2);integração do pessoal da FA no esforço que se desenvolvia e no espirito de combate e camaradagem que existia e se vivia no BCmdsG (3); atempada quase imediata exploração da informação recebida das forças empenhadas ; (4) maior rapidez , eficiência e eficácia na colocação do pessoal a hélitransportar. Esta proposta foi contrariada pela FA com o argumento que a localização de Cadique era muito central na área de operações , sendo vulnerável e passível de ser atacada , o que era um risco elevado para os meios aéreos que não podia ser corrido. Tendo prevalecido a posição da FA . o Agr Ar ficou estacionado em Cufar, sede do CAOP1.''

''Verificou-se depois da operação iniciada e enquanto a mesma decorreu, a povoação de Cadique,PC/BCmdG nunca foi molestado, como de resto tinha sido previsto, De facto a colocação ajustada das NT na zona em que o dispositivo IN era mais forte , conforme o planeado, foram héli-colocadas logo no dia D e manhã do dia D/1, provocou que este perdesse a iniciativa, tendo-se remetido a acções puramente defensivas.

- Nesta operação em que todos os objectivos exigidos na missão foram cumpridos , houve dois combates muito violentos ;

(1) pelo AGR. FOXTRT (38ªCCMDS) , no dia de NATAL .na região de Camarempo, que quando se posisionava para evacuar dois CMDS que inspiravam cuidado, após terem sidos picados no ataque de um exame de abelhas, ao progredir no trilho em direcção á bolanha, foi fortemente emboscado por um bi-grupo IN, estimado em cinquenta elementos, armados com armas ligeiras e RPG,s, e que foi posto em fuga , devido á determinada e bem conduzida reacção dos nossos militares. A forma como a emboscada foi conduzida pelo IN, leva-nos a pensar serem elementos com muita experiência de guerra.

O empenhamento do IN levou a que o contacto directo se situa-se nos cerca de 30 minutos.

Sofremos neste combate seis feridos de alguma consideração e com o apoio do héli-canhão que chegou ao local da refrega na altura que acompanhava o helicóptero que vinha evacuar os sinistrados, impusemos ao IN pesadas baixas que por informações credivéis colhidas na altura, do bi-grupo IN só dois homens ficaram ilesos, tendo sofrido sete mortos e os restantes feridos, alguns com gravidade;

(2) pelo Agr. Delta /3ªCCmds Africanos que no dia 26 de Dezembro, na região de Cacine, assaltou um quartel IN, estimado em 60 elementos bem armados e entrincheirados, opôs forte resistência, durante cerca de 30 minutos, acabando por retirar e dispersar, face á determinação das NT que sofreram nesta acção, 2 mortos, 4 feridos graves e 13 feridos ligeiros, tendo o IN abandonado as suas instalações em que eram visíveis vários rastos de sangue e 5 mortos.

Esta acção teve o apoio dum héli-canhão que chegou á zona de combate já depois de ele findo mas que abateu elementos do IN em fuga.''

Do Relatório da OP. Galáxia Vermelha menciono o seguinte iten, pelo seu interesse.


RESULTADOS OBTIDOS

1- Objectivos IN destruidos

De notar a existência de abrigos anti-aéreos em quase todas as tabanca. As organizações de terreno do IN, trincheira e abrigos anti-aéreos são numerosos e só possíveis de destruição com material de sapadores adequados.


No rescaldo desta operação ficaram feridos em combate os seguinte militares:

Feridos em combate:

Alf Mil Cmd NM 08750971 Carlos Manuel Sousa Almeida
Sol Cmd NM00168571 Francisco José Sousa Esteves
Sol Cmd NM00645171 Antonio Carneiro Ferreira

Feridos em combate que baixaram ao HMB;

1ºcabo Cmd NM16226371 José Caetano Mendes
Sold Cmd NM05321771 José Alexandre da Costa (1)
Sold Cmd NM06919771 Antonio Mendes (2)



(1) Faleceu no HMP em Lisboa por causa directas dos ferimentos em combate em 27 de Abril de 1974.
(2) Por causas directas dos ferimentos em combate ficou paraplégico vindo a falecer por falência de orgãos, em 19 Dezembro de 1990.

 

 

 

 

 

 

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